O grupo de ransomware Dark Project, que começou a operar em junho de 2026, afirma ter atacado 38 organizações em oito países, com foco em setores como manufatura e saúde. Os dados foram divulgados em um relatório de inteligência de ameaças, embora as informações não tenham sido confirmadas de forma independente. A maioria das vítimas está localizada nos Estados Unidos, que contabiliza 30 casos, enquanto o Reino Unido, Alemanha, Brasil, Filipinas, Turquia, México e Canadá têm uma vítima cada um, segundo informações do GBHackers e do Cybersecuritynews.
A operação Dark Project combina roubo de dados, criptografia de arquivos e ameaças de divulgação pública para pressionar as organizações a pagarem os resgates. O grupo também utiliza um modelo de dupla extorsão, que envolve não apenas a criptografia dos sistemas, mas também a ameaça de tornar informações sensíveis públicas caso o pagamento não seja realizado. Essa abordagem cria riscos adicionais, uma vez que a recuperação de arquivos não elimina a possibilidade de exposição de dados, conforme relatado por especialistas.
O modelo de negócios do Dark Project é estruturado como um serviço de ransomware, permitindo que afiliados realizem ataques em troca de uma comissão de 80% sobre os lucros, enquanto os operadores retêm 20% para serviços de plataforma e relatórios. O recrutamento de novos parceiros é feito por meio de um processo que inclui aplicação, triagem, integração e atribuição de um identificador único, conforme detalhado pelos pesquisadores da Gurucul. A comunicação com as vítimas e as negociações de resgate são geridas pelos operadores do grupo, o que permite que os afiliados se concentrem na execução dos ataques.
A infraestrutura da operação inclui um painel de controle hospedado na rede Tor, onde os afiliados podem gerenciar suas atividades. Os agentes utilizados para os ataques são disponibilizados em formatos EXE e BIN e contêm identificadores que permitem rastrear a atividade de cada parceiro. Embora o grupo promova pagamentos em Bitcoin, não foram fornecidos endereços de carteira ou evidências de transações que confirmem os pagamentos, o que levanta questões sobre a veracidade das promessas feitas aos afiliados.
Os métodos de ataque relatados incluem acesso inicial por meio de phishing, serviços de Remote Desktop Protocol (RDP) expostos, credenciais comprometidas e acesso a VPNs obtidas através de logs de infostealers ou corretores de acesso. O Dark Project tem como alvo ambientes Windows e utiliza técnicas de exfiltração de dados, criptografia e inibição de recuperação, conforme mapeamento do modelo ATT&CK.
Os dados sobre as vítimas revelam que a operação teve um pico de divulgações em agosto de 2026, com 20 organizações listadas, seguidas por cinco em setembro e outubro, e quatro em novembro. Esses números refletem a atividade de publicação e não devem ser interpretados como datas de intrusão confirmadas. A falta de validação independente das alegações do grupo também levanta dúvidas sobre a extensão real de suas operações.
O Dark Project representa uma nova ameaça no cenário de ransomware, utilizando táticas que misturam elementos de operações legítimas de segurança com métodos criminosos. O próximo passo para as autoridades e especialistas em segurança será monitorar a evolução dessa operação e suas implicações para as organizações em todo o mundo, especialmente em setores críticos como saúde e manufatura.
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