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Botnet Carbonato usa IA para atacar hosts Docker inseguros

Um novo malware de botnet denominado Carbonato está atacando hosts inseguros que executam Docker daemons, visando instalar o framework de IA Hermes Agent para assumir o controle dos sistemas. Os pesquisadores da ThreatDown, equipe da Malwarebytes, chegaram à ameaça ao examinar um repositório de imagens Docker aberto na internet, sem nenhuma autenticação: eram cerca de 60 repositórios, somando 4,3 GB. Ali estavam evidências da operação entre outubro de 2024 e agosto de 2026, com detalhes da botnet e de uma segunda campanha, que distribuía aplicativos falsos de carteira de criptomoedas.

O malware Carbonato é capaz de se espalhar como um worm, explorando Docker daemons que possuem a API exposta na porta 2375 sem autenticação. Ao se conectar a essa API, o malware instrui o daemon a lançar um container privilegiado, o que lhe concede acesso ao host. Depois, é estabelecido um reverse SSH tunnel, e um servidor SSH é instalado com a chave dos operadores, enviando relatórios sobre a nova implantação através do Telegram.

Os pesquisadores também identificaram que o Carbonato utiliza scripts para configurar cron jobs, timers do systemd, rc.local e hooks do OpenRC, garantindo persistência. Um aspecto notável do ataque é a instalação do Hermes Agent, que, segundo a ThreatDown, recebe comandos via Telegram. O agente, nomeado GH0ST, tem instruções que sobrescrevem o arquivo persona padrão chamado ‘SOUL.md’, permitindo um controle mais eficaz sobre as operações.

O Hermes Agent é projetado para executar uma variedade de tarefas, como coletar chaves de API de IA, credenciais SSH e tokens de acesso. O funcionamento do malware envolve um loop de comandos interativo, onde o agente interpreta as instruções recebidas e executa os comandos no sistema da vítima, retornando os resultados ao operador por meio do Telegram. Essa automação permite que o malware realize operações complexas sem intervenção humana.

Além disso, o Carbonato possui a capacidade de se propagar para outros Docker daemons expostos, escaneando redes vizinhas a cada cinco minutos. Cada nova infecção puxa o implante do registro, lança o mesmo container privilegiado e inicia o ciclo de persistência e varredura. A ThreatDown não conseguiu atribuir o Carbonato a grupos de ameaças conhecidos, mas indícios sugerem que os operadores podem estar localizados na Costa Rica.

Os sinais de que um ataque Carbonato está em andamento incluem a presença de um arquivo persona GH0ST, a configuração CARBONATO_API_KEY, tráfego inesperado no Telegram e a existência de reverse SSH tunnels direcionados para a AS262145. Para mitigar o risco de infecção, os pesquisadores recomendam desabilitar as APIs do Docker daemon na rede e exigir autenticação em registros.

A divulgação do Carbonato ocorre em um contexto de crescente automação no ciclo de vida dos ataques cibernéticos, com um aumento no uso de ferramentas de IA por parte de agentes de ameaças. Em julho de 2026, a Palo Alto Networks associou um grupo de ameaças da China a uma campanha de hacking habilitada por IA, utilizando o Hermes Agent para realizar ataques sem intervenção humana. Essa tendência aponta para um futuro onde a combinação de agentes de IA e malware pode tornar os ataques mais sofisticados e difíceis de detectar.

O avanço das operações de malware como o Carbonato levanta preocupações sobre a segurança de sistemas que utilizam Docker. O próximo passo será observar como as organizações se adaptam e implementam medidas de proteção contra essas novas ameaças, especialmente em um cenário onde a IA desempenha um papel central nas operações cibernéticas.


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