Recentemente, documentos judiciais revelaram que um executivo da Microsoft classificou o uso de conteúdo jornalístico para treinar sistemas de inteligência artificial como “o maior roubo de trabalho da história”. As informações foram divulgadas em um processo movido pelo New York Times contra a OpenAI e a Microsoft, que discute o uso de artigos protegidos por direitos autorais sem autorização.
Os documentos mostram que executivos das duas empresas estavam cientes dos impactos negativos que suas tecnologias poderiam ter sobre o mercado de notícias. Brent Hecht, diretor de Ciência Aplicada da Microsoft, expressou preocupações sobre um “ciclo de retroalimentação negativa”, onde a redução do tráfego para sites de notícias poderia diminuir a capacidade de produção de conteúdo, afetando a qualidade das informações disponíveis para o treinamento de modelos de IA. Essa situação foi descrita como uma “completa zombaria da ideia de ‘uso justo'”.
Além disso, o material revela que a Microsoft registrou quedas significativas nas taxas de cliques para links de veículos jornalísticos, com algumas publicações enfrentando reduções de até 93%. Um levantamento do Pew Research Center indicou que usuários expostos a resumos gerados por IA clicam em links tradicionais quase 50% menos, o que levanta questões sobre a viabilidade econômica do jornalismo na era digital.
Nas conversas internas, também entrou em pauta o acesso a material bloqueado por paywalls. Greg Brockman, que preside a OpenAI, recebeu informações sobre um procedimento capaz de driblar essas restrições e reagiu de maneira favorável. O episódio reacende dúvidas sobre a ética de usar conteúdo de terceiros, sobretudo diante do depoimento da Microsoft, que disse que qualquer material protegido precisa ser licenciado.
O processo judicial, que começou no final de 2023, conta com a participação de 12 veículos de imprensa que alegam que OpenAI e Microsoft copiaram milhões de artigos para desenvolver seus sistemas de IA. As empresas defendem que o uso de tais conteúdos é amparado pelo conceito de “uso justo”, argumentando que os artigos são transformados em novos produtos pelos sistemas de IA.
Nick Turley, que liderou a equipe do ChatGPT, também expressou preocupações sobre a IA representar uma “ameaça existencial” para o jornalismo, afirmando que, à medida que as tecnologias avançam, a capacidade de substituir conteúdo original aumentará. Isso sugere que o futuro do jornalismo pode estar em risco, à medida que as ferramentas de IA se tornam mais sofisticadas.
A Microsoft, por sua vez, se distanciou das declarações de Hecht, afirmando que suas opiniões não refletem a posição oficial da empresa. O porta-voz Alex Haurek destacou que Hecht atuava como pesquisador acadêmico e apresentava perspectivas divergentes sobre o uso de dados em IA.
O caso está atualmente sob análise do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, onde o juiz Sidney H. Stein está considerando pedidos para resolver a disputa sem um julgamento completo. Enquanto isso, a discussão sobre o uso de conteúdos jornalísticos por tecnologias de IA continua a gerar debates acalorados sobre direitos autorais e o futuro do jornalismo.
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