Hackers bielorrussos, conhecidos como Cyber Partisans, afirmaram ter realizado uma invasão na rede de saúde do governo russo em 2023, conforme revelado em uma declaração recente. O grupo confirmou sua participação em uma violação de dados que foi divulgada por uma empresa de cibersegurança russa, a Solar, que pertence à Rostelecom, uma gigante de telecomunicações estatal. A Solar identificou a intrusão em dezembro de 2025, mas os Cyber Partisans alegam que obtiveram acesso à infraestrutura da saúde de Moscovo um ano antes, em 2023.
Os hacktivistas relataram que conseguiram acesso administrativo à rede do Departamento de Saúde de Moscovo, incluindo sistemas interligados a outras agências governamentais. Segundo o grupo, a operação foi abandonada após meses de acesso, pois não era uma prioridade para eles. A afirmação de que conseguiram acesso rapidamente e com pouco esforço foi destacada em sua comunicação com a Recorded Future News.
A Solar, por sua vez, traçou os primeiros sinais da intrusão para o início de 2024, sugerindo que os hackers poderiam ter permanecido na rede por quase dois anos. Durante esse tempo, os Cyber Partisans acessaram informações médicas sensíveis, mas não destruíram dados nem interromperam as operações da organização alvo. O grupo não revelou quais informações específicas foram obtidas, mas indicou que dados médicos poderiam ser utilizados para avaliar as baixas militares russas na guerra na Ucrânia.
O Cyber Partisans, que surgiu após os protestos em massa contra o presidente bielorrusso Alexander Lukashenko em 2020, tem se envolvido em várias operações cibernéticas contra instituições governamentais bielorrussas e, mais recentemente, contra alvos russos. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, o grupo ampliou suas atividades, focando em coletar inteligência e interromper a infraestrutura russa.
Em julho de 2026, o Supremo Tribunal da Rússia classificou os Cyber Partisans como uma “organização extremista”, acusando-os de tentar desestabilizar a Rússia e a Bielorrússia, além de buscar a derrubada do governo de Lukashenko. Essa designação foi a primeira do tipo aplicada a um grupo de hackers no país.
Os Cyber Partisans afirmaram que a maioria de suas operações permanece em segredo e que não podem divulgar informações obtidas na rede de saúde de Moscovo por razões operacionais. O grupo concluiu sua declaração reafirmando sua capacidade de contornar as medidas de segurança russas, independentemente dos esforços do governo para proteger seus sistemas.
O desdobramento dessa situação pode levar a um aumento nas tensões entre a Rússia e a Bielorrússia, além de potencialmente intensificar as operações cibernéticas entre grupos hacktivistas e as autoridades russas, à medida que a guerra na Ucrânia continua.
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