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Hackers norte-coreanos atacam especialistas ucranianos em espionagem

Hackers da Coreia do Norte têm direcionado ataques a especialistas ucranianos em diplomacia, segurança e política internacional, conforme um relatório da empresa de cibersegurança sul-coreana Genians. A campanha, atribuída ao grupo Kimsuky, utiliza convites falsos para conferências e solicitações de colaboração em pesquisas, além de documentos maliciosos, com o objetivo de roubar informações.

A crescente cooperação militar entre Pyongyang e Moscou, que inclui o envio de tropas norte-coreanas para a guerra na Ucrânia desde 2024, é um dos fatores motivadores desses ataques. Segundo os pesquisadores, as ações do Kimsuky visam coletar dados sobre a guerra, perdas de tropas norte-coreanas, o tratamento de prisioneiros de guerra e as conversas entre Coreia do Sul e Ucrânia.

Um exemplo de ataque ocorreu em agosto, quando os hackers se passaram por organizadores de uma conferência de cibersegurança em Seul, convidando um especialista ucraniano para participar do evento. O e-mail continha informações legítimas sobre a conferência e oferecia cobrir despesas de viagem, sem incluir links ou anexos maliciosos inicialmente. Após a resposta do destinatário, os atacantes enviaram um link para um arquivo malicioso disfarçado de material de pesquisa.

Além disso, os hackers também se apresentaram como pesquisadores de políticas europeias, buscando feedback sobre um relatório sobre a cooperação militar entre Rússia e Coreia do Norte. Após a interação inicial, enviaram um link para um arquivo malicioso disfarçado de um documento PDF ou instalador do Zoom, projetado para coletar informações dos computadores infectados.

Esses ataques fazem parte de uma campanha de ciberespionagem mais ampla, conhecida como Operation GitPower, que utiliza plataformas legítimas de desenvolvimento de software, como GitHub e GitLab, para distribuir arquivos maliciosos e se comunicar com sistemas comprometidos. O Kimsuky, ativo desde pelo menos 2012, já atacou governos, organizações de pesquisa, acadêmicos e meios de comunicação em diversas regiões, incluindo Ásia, Europa e Estados Unidos.

Em 2023, os Estados Unidos e aliados do Pacífico impuseram sanções ao grupo, acusando-o de coletar inteligência para apoiar a política externa da Coreia do Norte e suas tentativas de evasão de sanções. Em maio de 2025, a Proofpoint relatou que um grupo vinculado à Coreia do Norte, identificado como TA406, havia enviado e-mails maliciosos a agências governamentais ucranianas, possivelmente buscando informações sobre os riscos enfrentados por tropas norte-coreanas ao lado das forças russas.

As operações cibernéticas do TA406 na Ucrânia se concentram em inteligência política e análise estratégica da guerra, diferentemente dos hackers russos, que geralmente buscam informações táticas relacionadas a operações de campo. O cenário de ciberespionagem envolvendo a Coreia do Norte e a Ucrânia continua a se desenvolver, com possíveis novas tentativas de coleta de informações em um contexto de conflito militar ativo.


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