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Grupo de ransomware usa assistente de IA para ataques cibernéticos

Um grupo de ransomware conhecido como Gentlemen, em colaboração com um afiliado identificado como Azazel, utilizou um assistente de codificação baseado em inteligência artificial (IA) como canal para executar ataques em redes empresariais. A operação, que afetou mais de duas dezenas de organizações em seis países, foi revelada em um relatório da CloudSEK, publicado em 5 de outubro de 2026.

A campanha se destacou pelo uso do Model Context Protocol (MCP), que permitiu ao operador registrar um manipulador de shell reverso como uma ferramenta acessível dentro do assistente de IA. Essa abordagem possibilitou a execução de comandos em tempo real durante as intrusões, demonstrando uma evolução nas táticas de ataque que vão além da simples assistência na codificação de malware, conforme relatado pelo Cybersecuritynews.

As investigações indicaram que a maioria das intrusões começou com o roubo de credenciais de desenvolvimento, especialmente de variáveis de pipeline do GitLab e do histórico de repositórios. Um único acesso comprometido no GitLab permitiu que Azazel atingisse duas organizações diferentes, evidenciando como a infraestrutura de desenvolvimento compartilhada pode amplificar as consequências de um único token de acesso exposto. Em um caso, mais de 120 mil registros financeiros foram perdidos antes que o atacante interrompesse o banco de dados ativo e deletasse dados de produção, conforme detalhado pelo Gbhackers.

Além disso, a operação de Azazel incluiu uma plataforma de vazamento independente chamada LEAKNED, que desviou os lucros de extorsão do grupo Gentlemen. A investigação da CloudSEK revelou que o script va.py, utilizado para verificar a colocação de notas de resgate, invocou comandos de verificação SSH dentro do ambiente comprometido, cobrindo oito locais, incluindo mensagens de login e configurações do PostgreSQL.

Os pesquisadores também descobriram que a infraestrutura exposta permitiu que o atacante realizasse buscas sistemáticas por serviços MCP vulneráveis, utilizando ferramentas como glato e gitleaks para extrair senhas de banco de dados, tokens de API e chaves privadas SSH. Essa abordagem mostra uma clara evolução nas táticas de ransomware, onde a extorsão se estende além da simples criptografia de arquivos, como evidenciado por ações destrutivas em registros financeiros governamentais.

Os ataques não se limitaram a um único setor, afetando indústrias como logística, seguros, farmacêuticos, dispositivos médicos e empresas de IA. A CloudSEK destacou que a combinação de credenciais roubadas e a exploração de serviços de IA, como uma API de imagem médica, foram fundamentais para o sucesso das intrusões.

Os dados coletados durante a investigação indicaram que a operação de Azazel estava em constante evolução, com um crescimento significativo dos conjuntos de dados roubados, que aumentaram em centenas de gigabytes entre as observações. O uso de técnicas de sincronização de armazenamento em nuvem também foi identificado, sugerindo que os atacantes estavam continuamente coletando informações valiosas.

O caso levanta preocupações sobre a segurança das ferramentas de desenvolvimento e a necessidade de proteger as credenciais de acesso em ambientes de software. A utilização do MCP como um canal de comando e controle em ataques cibernéticos representa uma nova fronteira na exploração de assistentes de IA, que pode ter implicações significativas para a segurança cibernética no futuro.

O próximo passo será observar como as organizações afetadas respondem a esses incidentes e quais medidas serão implementadas para mitigar riscos semelhantes no futuro. A evolução das táticas de ransomware, especialmente com o uso de IA, exige uma vigilância constante e uma adaptação das estratégias de defesa.


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